
Dia 17 de abril de 19???(não vem ao caso, né mãe?!) ela veio ao mundo com uma missão. Talvez ela nem saiba disso, mas eu tenho absoluta certeza que a missão dela neste mundo era ser a minha mãe. Era me gerar, me criar, e me ensinar tudo o que eu sei. Era fazer com que eu tivesse vontade de crescer só para mostrar para ela que eu aprendi o que ela tinha me ensinado...
Hoje é aniversário dela e mais uma vez eu estou longe. Ela diz que é golpe para não dar presente. E eu digo que o azar é meu, porque o que eu mais queria era abraçá-la neste dia. E queria ter muita grana para mandá-la para um lugar lindo e chique ( e eu ir junto, né?).
Minha mãe é moderna, gente. Ela é internauta e tem mil amigas que conheceu no orkut. Ela é fã da Ana Carolina, do seu Jorge, da Marisa Monte. Que Roberto Carlos que nada. A coroa é pop! É tatuada. T-A-T-U-A-D-A! E fez a tatuagem depois dos 50. Fala palavrão.
Mas tem uma coisa que não muda. Nem com toda esta modernidade: ela diz que não criou filho pro mundo coisa nenhuma. Que ela quer nós três debaixo da asa dela. Que não é possível que eu e minha irmã cismamos de morar longe. E quase toda vez que ela me liga ela diz: "Volta logo pra casa!"
E é lá na casa dela que eu me sinto em casa. É deitada na cama dela que eu me sinto protegida, como se nada no mundo fosse me atingir.
Mãe, para você, no seu aniversário, eu lhe dedico estas flores aí de cima (afinal, as flores do ano passado chegaram murchas, né?), uma surpresa especial feita pela Carla San, uma amiga mais que querida bem aqui:
http://www.vicenzzasan.blogspot.com/ e um poema (que a querida Mani me mandou). E é claro, todo o meu amor. Todinho ele. Te amo muito, você sabe!
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Com licença poética
Adélia Prado
"Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e ora sim, ora não,
creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou."
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Lia Lima, minha amada mãe, segue ainda uma música para vc lembrar de mim...sua menina passarinha com vontade de voar (não foi a toa que eu estudei ecologia de aves, não é mesmo?)
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"Quando estou nos braços teus
Sinto o mundo bocejar
Quando estou nos braços teus
Sinto a vida descansar
No calor do teu carinho
Sou menino passarinho
Com vontade de voar
Sou menino passarinho
Com vontade de voar "
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Mas não se preocupe...eu alço vôo mas sempre volto pro meu ninho :-))
Beijos gigantes. Daqui da Amazônia até o Rio de Janeiro.
Tua Lilica!