26.12.05

2006!

Queridos, apareci!

Aos que nunca abandonaram este cantinho para lá de abandonado, segue uma belíssima receita de ano novo.

Um grande beijo e sinceros desejos de um 2006 estupendo!


RECEITA DE ANO NOVO

Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
(passa telegrama?).
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

28.10.05

Eu voltei!

Queridos!

Depois de longo e tenebroso verão (aqui no Pará não tem inverno!), cá estou eu, a dar notícias minhas a vocês.
Eu estou bem, trabalhando bastante e me adaptando a vida paraense. Já até fui a um show da banda Calypso e aprendi a dançar o brega. Praticamente uma paraense nata!

Acabei de chegar de Paragominas, um lugar onde vou trabalhar também, além de Carajás. Longeeeee. Aliás, o Pará é muito grande, então tudo aqui é muito longe. Devo começar os trabalhos lá em dezembro, mas não vou precisar ir todo mês.

Estou em Belém agora, para o Congresso Brasileiro de Ornitologia que começa amanhã. Estou muito feliz, porque é a chance de eu rever amigos de longa data e ficar por dentro de tudo que está acontecendo no "maravilhoso e encantado mundo das aves"! Me sinto na faculdade de novo quando participo de congressos.
Claro que desta vez é diferente porque o celular da empresa vai ter que ficar ligado e eu vou ter que ir embora a qualquer momento caso algum pepino ocorra em Carajás. Vou ter que ficar em stand by...foi essa a condição para eu vir! Torçam seus dedinhos para que nada aconteça e que eu consiga aproveitar muiiiiiiiiiiito o Congresso aqui!

Bom, deixa eu ir agora.

Assim que der eu volto com mais novidades.

Beijos em todos!

7.9.05

Viva!

Queridos!

Desculpem o desaparecimento. Mas está cada mais difícil postar aqui. Primeiro porque o trabalho está muito e o tempo curto. segundo porque não tenho computador em casa (um dia esta pobreza acaba) e terceira porque eu postava do cyber cafe que era em frente a minha casa...só que eu MUDEI...DE NOVO! é a terceira mudança em 5 meses. Ninguém merece!!

Agora estou morando na Serra de Carajás, no " Núcleo Urbano" da Vale. Divido a casa coincidentemente com uma menina de Niterói. Inacreditável! Ela é super gente boa e estamos arrumando a casa para ficar do nosso jeito.

No mais, muito trabalho, alguma diversão e assim caminha a humanidade. Prometo que assim que eu conseguir comprar um computador vou escrever posts longos, com fotos e explicações sobre Carajás. Por enquanto fico devendo porque estou "alugando" o computador da menina que divide a casa comigo.

Um grande beijo e não me abandonem :)

13.8.05

De volta a Carajás

Queridos!

Cá estou eu. Voltei do Rio na semana passada e na terça-feira embarquei para Belém, para participar de uma conferência por lá. Como eu A-D-O-R-O Belém!!! Acho aquela cidade linda! Já conhecia Belém antes de imaginar que um dia viesse a morar no Pará. Em 1998 fui participar de um Congresso de Ecologia por lá e fiquei encantada. E olha que a Belém de 1998 era completamente diferente da Belém de hoje em dia.

A vida está muito corrida e o tempo está curto para tantas coisas. Me mudei, mas o cafofo continua bagunçado. Vou aproveitar o fim de semana para arrumá-lo e a segunda, que é feriado, eu vou aproveitar para ir ao clube em Carajás, pq o calor está de matar!

Aos que viram na Tv Globo a reportagem sobre o incêndio aqui, digo que estou bem e que o incêndio nem chegou perto da cidade. Os incêndios são muito comuns aqui nesta época do ano, o que teve aqui e que saiu na Globo ainda está sendo investigado para que se descubra qual foi a causa. Queimou mais de 100 hectares e o pessoal teve um trabalhão para controlar, mas agora já está tudo bem.

Fico devendo as fotos porque não tenho máquina digital (roubaram a minha no Ano Novo, lembram?!). Ainda não consegui comprar outra...mas assim que der "scaneio" umas fotos para colocar aqui.

Já estou mais bem adaptada a cidade, apesar de ter saído do Rio chorando...Ficou faltando fazer tudo que o Renato comentou ali na caixa de comentários e mais um monte de coisas. O Rio, apesar dos Garotinhos continua lindo!!!

Bom, crianças, deixa eu ir porque a faxina me chama!
Grande beijo

4.8.05

No colinho da mamãe

Queridos!

Quem é vivo sempre aparece, não é mesmo?! Eu estou quase morta (de cansaço) mas ainda respiro sem aparelhos...então cá estou eu!

Sei, sei bem que estou devendo histórias da minha vida no Pará, fotos da praia de rio em Marabá e novidades da "Terra do Nunca" (que é como eu carinhosamente chamo Parauapebas). O apelido carinhoso deve-se ao fato que lá NUNCA tem nada que você precisa, NUNCA tem nada para fazer, NUNCA tem...

Esta semana estou no Rio. Vim para uma enxurrada de reuniões e A-M-E-I voltar para o colinho da mamãe. Revi minha família, meu cachorro, meus amigos. Não todos, porque afinal, eu vim trabalhar...Não deu tempo de ir a praia de Camboinhas e nem na Livraria da Travessa, não deu tempo de ver o pôr do sol da Pedra da Gávea, de ir na Lapa, de passar a tarde na praia de Ipanema até o sol se pôr...quando eu vier de férias, talvez!

O fato é: o Rio de Janeiro continua lindo. E eu sou bairrista mesmo (ou mermo, como nós cariocas falamos!). E curti muito esta minha rápida vinda aqui.

Na sexta embarco de volta para a Terra do Nunca. Aluguei um apartamentinho (reparem bem no diminutivo!!!) e agora vou morar sozinha. Comprei umas coisinhas aqui na cidade grande e minha mãe me lembrou que eu tinha um enxoval de quando achei que ia casar!!! Eu tinha apagado da minha memória (o fim do namoro foi um tanto quanto traumático, é bem verdade!). Cada coisa LINDA. Fiquei feliz da vida e já estou levando tudo para a casa nova--PERFEITO! Ainda bem que no meu ataque de fúria minha mãe salvou o enxoval, hahaha.

Prometo que assim que eu me mudar, arrumar o cafofo, e conseguir algumas horas de folga eu volto a postar com mais frequência. O cafofo fica bem em frente a uma lan house...Já vi que vou virar sócia e disputar um computador a tapa com os adolescentes (os mais velhos têm prioridade, certo?) ;)

Um grande beijo.

14.7.05

Tô viva...ou quase!

Gente!

Sumi, né?! Mas está tudo tão, mas tão corrido...Tô num curso que acaba amanhã e também trabalhando que nem louca. Por isso não tenho aparecido por aqui.

Mas não me abandonem que eu volto já!!!

Preciso contar para vocês da paraia de rio que eu fui em Marabá (rio Tocantins e Araguaia) e que foi a coisa mais linda que eu já vi no Pará. Muito bacana mesmo.

Mas só depois que o curso e a trabalhareira derem uma trégua.

Um grande beijo em todos. Morro de saudades e de vontade de postar como antes.

4.7.05

Ói eu aqui!

Queridos!

Estou demorando a postar, né?! è que o trabalho é tanto e o tempo tão curto...e ainda por cima a internet é discada! Aí, meus caros, vocês têm que compreender que a preguiça vence na luta com a espera do computador conectar, acessar a página do blogspot e blogar! Mas aqui estou eu...

Bem, o que eu conto de novo é que depois de quase dois meses aqui no meio do nada, eu FUI À CIDADE GRANDE!!!! NossasenhoradoPérpetuoSocorro, como eu estava sentindo falta de Shopping Center, Mc Donald´s, confusão nas ruas, livrarias (Sim, livrarias, pq aqui NÃO TEM LIVRARIA, BUÁÁÁÁÁÁÁ!). Eu parecia o Crocodilo Dundee (Credo, de onde desencavei esse filme?! Esses 30 anos não estão me fazendo bem não!!!). Fiquei feliz igual pinto no lixo na cidade grande...Ah, esqueci de dizer qual cidade grande...BELÉM, a capital do Pará.

Eu já conhecia Belém, tinha ido lá em 1998 num Congresso de Ecologia. Adorei a cidade e o povo de lá. Agora Belém está bemmmmmmmmm diferente, cresceu muito. O Ver o Peso está todo arrumadinho e confesso, perdeu um pouco o seu encanto, apesar de estar bem mais organizado e limpo.

Kit da cidade grande para fazer a Alline feliz:
1-biscoito Clube Social Integral
2-Chocolate Meio Amargo da Nestlé
3-Sabonete Líquido de Glicerina da Granado (não entendo porque não tem na Big Ben, a super-hiper-mega farmácia daqui que eu chamo de shopping de Parauapebas!)
4- Muito, muito Cheddar Mc Melt com batata frita grande e coca-cola.
5- Lojas Americanas.

Tá vendo, gente, como eu sou uma criatura humilde?! Nem preciso de muito...

Deixa eu ir meus caros, que cheguei de viagem direto pro trabalho. Estou EXAUSTA.
Depois eu conto mais.

Beijo grande em todos!

21.6.05

30!

Olá a todos!

Depois de tanto tempo...cá estou eu! Bem no dia do meu aniversário de 30 anos. Balzaca sim senhor, assumidíssima!
Aconteceram muitas coisas nas últimas semanas, muitas coisas tristes acontecendo tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Minha avó querida faleceu e eu nem tive tempo de dar tchau. Fiquei muito, muito triste. Só de falar disso meus olhos enchem d´água.

Eu prefiro acreditar que todos estes acontecimentos ruins eram uma prova para ver se eu conseguia chegar aos 30 sã e salva! Bom, apesar de tudo, estou aqui!!! Espero, realmente, que tudo melhore...E pelos desejos sinceros dos meus amigos, da minha mãe, pai, irmãos, família, eu acho que não vai ter mais jeito de dar errado.

A Internet aqui é discada. Por isso eu demoro a postar. Prometo mais frequência.

Feliz Aniversário para mim!!!!

Grande beijo a todos.

8.6.05

Correndo...

Queridos!

Passei aqui só para dizer que estou viva e bem! A correria no trabalho está enorme, mil inventários de fauna por minuto, milhões de áreas a serem amostradas, zilhões de coisas a fazer. Não vou mentir para vocês, estou exausta mas eu A-D-O-R-O esta adrenalina!!!
Já estou direto no mato, coisa que para uma jaguatirica em forma de gente como eu, é super legal. Passarinhos por todos os lados, mamíferos, cobras e lagartos. E os sapos? cada um mais lindo que o outro...
Já mudei mas ainda não ajeitei o cafofo. O colchão tá no chão, esperando a cama ser montada. As roupas ainda dentro da mala, não comprei TV nem nada. Mas aos poucos vai tudo se ajeitando.

Tive uma notícia muito triste hoje (nem pareceu, né?! comecei o blog tão felizinha!). A bolsa que pedi para voltar para Itália (e por conseguinte para o meu fofo que ficou lá) foi negada. A embaixada da Itália negou meu pedido e eu fiquei a ver navios aqui no Peba. Já chorei tudo o que eu podia, tenho certeza que ainda vou chorar muito, mas acredito que se não rolou, mesmo eu tendo feito tudo para que rolasse, era porque realmente não era para acontecer! Agora eu só preciso elaborar que tudo acabou, que não tem mais Itália, nem laboratório de bioquímica em Milão e principalmente que não tem mais o fofo. Difícil para caramba elaborar esta perda...

Bom, tenho que sair agora. Volto um dia com mais calma.

Grande beijo em todos!

30.5.05

Acostumando

Estou me acostumando. Depois de 20 dias começo a me adaptar a cidade. Nunca foi tão demorado. Mas agora estou realmente achando que vou me adaptar! Porque na primeira semana eu achei que não me acostumaria NUNCA.

A vida aqui é pacata. Demais até para esta carioca que vos fala. A falta de opções me dá nos nervos, mas é uma questão de tempo para me acostumar.
No Rio eu nem saia muito. Mas sabia que eu PODERIA sair a hora que eu quisesse, para onde eu quisesse. Daí eu ficava tranquila :)
Aqui não! E ainda tem o lance que vc vai na esquina e encontra mil conhecidos. Todo mundo te vê, sabe com quem você estava, o que estava fazendo. Eu sou de Niterói, que os cariocas consideram cidade pequena, mas aqui em Parauapebas (carinhosamente chamada pelos habitantes de "PEBA") é muito pior.

Meus padrões já mudaram. A Raquel me disse que isso iria acontecer muito rapidamente. Eu entro na Big Ben, que é uma farmácia que tem de tudo, e me sinto num shopping center. Surto ali dentro. Outro dia quando vi que tinha o meu perfume favorito (Carolina Herrera 212) tive uma síncope. Meu amigo biólogo ficou surpreso com tamanho entusiasmo e me perguntou: " Você vai usar este perfume para ir para onde? Pro pastel na praça?!" Cortou a minha onda o nojento...
Tudo bem que eu nem ia comprar, deve custar 3 vezes mais caro que no Rio, mas custava me deixar sonhar que se eu quisesse eu poderia comprar! Ah, esses homens.
O Big Ben é como um portal para a modernidade! Fico igual a pinto no lixo quando entro ali...Preciso tomar muito cuidado para não cometer excessos.

No sábado consegui achar a Rua do Comércio. Tem de UM TUDO! Já vi o armário que vou comprar lá para guardar minhas roupitchas.

Quanto ao trabalho, nada de floresta ainda. Estou esperando o maledeto exame médico que não fica pronto nunca. E também o uniforme...
Enquanto isso me meti a fazer a semana do meio ambiente na escola lá em Carajás. Inventei um projeto megalomaníaco que assustou até o diretor da Escola. Hahahaha. Mas ele embarcou na minha. Convenci mais ou menos meu chefe mas ele disse que se eu desse conta ele daria carta branca. Até uma jibóia viva ENORMEEEEE eu quero levar para as crianças!!!

Bom, queridos deixa eu ir porque meu tempo está esgotando aqui.
Muitos beijos!!

24.5.05

Vida na terrinha

Depois de tempos sem escrever, cá estou eu...
Bom, a vida aqui é aquilo, né?! Ainda estou tentando bravamente me adaptar. Já entendi que as pessoas são grossas e ponto final. Não é nada pessoal, não é que elas não me entendam. Elas SÃO assim. Respeito mas não aceito. E assim vou vivendo...

O trânsito é um capítulo a parte e merece um post só para isso. Eu sou do Rio, morei em Milão (onde trânsito é caótico) mas nunca vi nada igual. Graças a Deus que eu não dirijo, não tenho carteira e nem sob tortura posso pagar o carro da empresa. Deus me livre de me arriscar por aqui.

Eu e o outro biólogo que veio comigo já estamos planejando um guia sobre a cidade. que vai começar assim: "Se vc tem dinheiro suficiente para vir para cá, NÃO VENHA, gaste a grana indo para outro lugar. Mas se não teve jeito e caiu aqui, essas são as melhores opções":

1- A praça Mahatma Gandhi é O point da cidade. No fim de semana "bomba". De um lado a Pastelaria Goiânia, com uma sorveteria bem ao lado. Na pastelaria, peça o pastel de pizza e um pastel de banana com canela de "sobremesa". Na sorveteria não deixe de experimentar o sorvete de cupuaçu e o de tapioca. Do lado da Pastelaria tem uma boate, Zion. Nunca fomos, então não temos opinião formada. Pronto, acabou a vida noturna no entorno da "Praça Point Bombação".

2- Mas não é só isso (isso é slogan daquelas propagandas do 011 1406, hahaha, com as meias Vivarina e as facas Guinso). Continuando...tem um clube chamado ASFEP, que é popularmente conhecido aqui como BREGÃO. Brega aqui é um estilo de música e não um jeito de ser. É assim tipo forró de teclado (tipo Frank Aguiar) mas diferente. E o bregão abriga os bailes de brega. Confesso que estou ansiosa para frequentar o bregão e aprender a dançar o brega com os nativos. Estamos combinando uma ida ao clube em breve, estamos só esperando o melhor show de brega (!!!!).
No último sábado teve uma festa no bregão chamada: Vai tomar no Fusca! De meia em meia hora tinha um sorteio e o sortudo (???) que ganhasse tomaria no fusca por 30 minutos. Não me arrisquei não, caros amigos, embora o meu amigo biólogo estivesse curioso para saber o que havia no Fusca.

3- Tem também o Galego, a nossa melhor descoberta. Lá no Galego a gente come churrasco de GADO (sim, eles anunciam assim, ao invés de churrasco com carne de boi simplesmente!). A primeira vez eu não entendi o garçom (óbvio) e achei que ele estava zoando e dizendo churrasco de GATO, que é como chamamos os churrasquinhos de rua no Rio. Mas então, no Galego tem churrasco de gado e cerveja Skol (raridade, pq o must aqui é CERPA, a cerveja do Pará) mega-super-ultra gelada pela bagatela de:

*Churrasco de Gado (pode ser de frango tb) acompanhado de arroz, aipim, molho vinagrete e farofa : R$ 2,25
*Cerveja mega-ultra-super gelada: R$ 2,50 a garrafa.

É ou não é o melhor point da cidade?!

Quanto ao trabalho, ainda estou aguardando o atestado médico para entrar no mato. Obviamente que não resisti e entrei Floresta Amazônica adentro junto com os outros biólogos, mas tomei bronca do chefe. Então agora eu fico fazendo "trabalhos-da-série-ninguém-merece" lá no muquifo que eles chamam de sala. Enquanto a Raquel viu Harpia (gavião-real, o maior do mundo, LINDO) assim, no meio do mato, pertinho dela, eu fiquei no computador o dia todo fazendo relatório para o IBAMA. E a nojenta da Raquel ainda ficou tirando onda dizendo que quando a Harpia voou foi um bando de araras-vermelhas atrás. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

Mas semana que vem espero que eu já possa adentrar a Floresta e ter a mesma sorte que ela :)

Bom, queridos, deixa eu ir. Meu tempo na lan house está acabando. Depois escrevo mais contando as novas!
Grande beijo em todos.

17.5.05

Falha na comunicação

Meu primeiro dia aqui. Chegamos num hotel xexelento. Levaram a gente pro andar mais alto, um MONTE de escada e eu com uma mala mais pesada que eu (o que não é difícil, convenhamos). O pobre coitado que carregou a mala lá para cima chegou esbaforido...
O menino que veio comigo, biólogo que trabalha com anfíbios, ficou no quarto do lado. Descemos para tomar café e ele me fala que a porta do quarto dele não fecha. Não bastava o hotel ser pavorento ainda tinha porta que não trancava. Colocamos a bagagem dele no meu quarto, que tinha porta que até fechava e fomos para a recepção.

Ele" Oi, tudo bem? Vc me colocou no quarto 20 mas a porta não fecha. Será que eu poderia trocar de quarto ou vc poderia mandar alguém lá para consertar a porta?!"

A recepcionista: " Ah, o barulho lá em cima está mesmo alto. É uma obra bem em cima do quarto de vocês!"

Ele: " Mas então, a porta, ela não fecha, tá com defeito. Tem jeito de consertar ou mudar de quarto?!"

Ela: " Sim, com aquele barulho vai ser impossível para vocês dormirem. Mudaremos vocês de quarto!"

Ele: " Tudo bem, eu vou trocar de quarto, é isso?! Perfeito!"

E eu com cara de assombrada escutando aquele diálogo todo...
No fim do dia mudamos de hotel. Um hotel bem melhor. Mas não tem tecla SAP lá também não :)

É assim, gente. Todo mundo aqui é assim. Temos que repetir as coisas três, quatro vezes. Achei que era culpa do sotaque carioca. Mas os mineiros estão com o mesmo problema. Então eu não sei.

Deixo um grande beijo. Aguardem cenas do próximo capítulo.

12.5.05

Direto do Pará

Consegui postar...enfim!
Cheguei na terça-feira. Saí segunda do Rio. Fuso-horário? Não, é ruim de chegar até aqui, mesmo de avião. Fui do Rio para Brasília. Lá encontrei minha fiel escudeira milanesa Juliana. Conheci ela em Milão mas ela mora em Brasília. Mas esperta que só, vai correndo de volta para Milão mês que vem!! Comemos, fofocamos e eu embarquei para Marabá. Dormi lá e no dia seguinte uma van da Vale do Rio Doce foi me pegar. MUITO CEDO, chegaram lá as 5 da matina. Quase tive um ataque do coração qdo o telefone do quarto tocou...demorei uns 10 minutos para lembrar onde estava!

Cheguei em Parauapebas na terça cedinho. De Marabá até aqui são umas 2 horas e meia. Era feriado, aniversário de 17 anos da cidade. Isso mesmo, só 17 aninhos. Talvez por isso seja esta zona que é!
Carajás, que é onde vou trabalhar, é uma cidade tão perfeita que cheguei a pensar que era cenográfica. Sabe assim tipo " Show de Truman"?! Então, assim... Tudo lindo, limpo, organizado e fresco. Sim, fresco, porque é na Serra, uns 800 m de altitude. Aqui em Parauapebas é um calor da moléstia.

Estou fazendo um curso de segurança no trabalho que até tem uma proposta bem interessante, mas uma metodologia que é terrível. Gente, o que é aquilo?! O fim...mas só posso começar a trabalhar depois de fazer o bendito curso, que dura 3 dias, o dia todinho. Ninguém merece.

Minhas impressões sobre Parauapebas:

1- Cidade muito bagunçada...trânsito, comércio, tudo bagunçado. E olha que eu sou do Rio e nem sou tão exigente assim!

2- Cara demais. Tudo aqui é muitíssimo caro, porque a economia da cidade gira em torno dos funcionários da Vale do Rio Doce, e o povo daqui pensa que somos muito ricos. Então um aluguel de uma kitinete, que mais parecia uma caverna, porque NÃO TINHA NENHUMA JANELA, num lugar pavorento, sem teto no banheiro (banho das estrelas, literalmente!), com telha de amianto e sem forro, custava 300 reais. Gente, 300 reais era o preço da kitinete da Raquel no Maracanã, com janelas, teto, de frente para UERJ e para o metrô, bem maior do que essa, com cozinha e tudo. Pq essa nem cozinha tinha...MUITO CARO. E foi o lugar mais barato que vimos!

3- Eu não entendo o que as pessoas falam. Elas não entendem o que eu falo. A Raquel e o pessoal que vai trabalhar comigo (de Belo Horizonte, Rio e Maranhão) concordam comigo que ninguém nos entende. Mas no fim das contas a gente se arruma.

4- As pessoas que vão trabalhar comigo são super legais e tenho certeza que vamos nos divertir muito.

5- Tô com esperança que vou me adaptar a esta realidade aqui. É só uma questão de tempo.


E é isso pessoal. Depois conto mais porque agora tenho que responder mil emails :)

Grande beijo!

28.4.05

Mudança

Parece que as nuvens foram embora... Bons ventos me trazem!
Ótimas notícias, meus caros!
A Companhia Vale do Rio Doce me contratou para o cargo de Analista Ambiental em Carajás, Pará. Me mudo no dia 09 de maio. Soube ontem desta boa nova, e estou aqui rodando que nem peru tonto para poder dar conta de fazer tudo antes de ir.

Uma de minhas melhores amigas mora lá, a Raquel, até falei dela aqui quando falei dos piscianos que invadem a minha vida. Pois bem, ela é uma dessas pessoas. Ela ainda não está acreditando que eu vou trabalhar com ela lá...

Tem uma reportagem bem bacana aqui
do meu próximo pouso, explicando o trabalho da Vale do Rio Doce e também um pouco sobre a Floresta Nacional do Carajás, o lugar onde vou estar nos próximos meses (ou anos?).

Eu estou muito feliz. Não é que eu tenha sonhado desde pequenininha em morar em Carajás, mas a oportunidade apareceu num momento muito especial da minha vida. Num momento de indecisão, de questionamentos, de insegurança. Vai ser muito bom para mim, tenho certeza disso. E como eu sempre digo aos que não possuem alma tão cigana quanto a minha: " Se eu não gostar, eu volto! Eu tô mudando de Estado (ou país, algumas vezes) e não de planeta."

Pois é...nestes últimos 7 anos foi mais ou menos assim: Rio-Ilha Grande-Macaé-Estados Unidos-Rio-Ilha Grande de novo-Macaé de novo-Itália-Rio- e agora- Carajás

E como diria o Luiz Gonzaga...

"Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras por onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei.
Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E alegria no coração.
Minha vida é andar...
Mar e terra
Inverno e verão
Mostra o sorriso
Mostra a alegria
Mas eu mesmo não
E a saudade no coração
Minha vida é andar..."

A Vida de Viajante
Luíz Gonzaga
Composição: Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil


E com isso sabe-se lá Deus quando vou voltar a postar. Espero que em breve, diretamente de Carajás!
Torçam por mim.

Grande beijo!

21.4.05

Matutando...

Ando muito pensativa...que nem esta garotinha aí da foto.

Allininha pensativa...acho que eu tinha 2 anos!

Muitas dúvidas, poucas respostas, várias idéias. Estou tentando focar para conseguir realizar as coisas. Sempre que penso em várias coisas ao mesmo tempo acabo não realizando nada.

Non capisco niente mesmo! Pausa na postagem para esta blogueira que vos fala colocar os pensamentos em ordem e as idéias em prática. Continuarei visitando vocês, ok?!

Um grande beijo em todos. Nos falamos em breve!

UPDATE: E hoje, dia 23/04, dia de São Jorge, a oração dele que eu simplesmente adoro (e que já foi lindamente musicada por Jorge Benjor e pela Fernandinha Abreu).

"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós."

14.4.05

Tranqüila

Tranqüila
(cantada pela Thalma de Freitas)

Tranqüila
Levo a vida tranqüila
Não tenho medo do mundo
Não tenho medo do mundo
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar

Tranqüila
Levo a vida tranqüila
Não tenho medo da morte
Não tenho medo da morte
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar

Que passe por mim a doença
Que passe por mim a pobreza
Que passe por mim a maldade
a mentira
a falta de crença
Que passe por mim olho grande
Que passe por mim a má sorte
Que passe por mim a inveja
a discórdia e a ignorância

Tranqüila
Levo a vida tranqüila
Não tenho medo do mundo
Não tenho medo do mundo
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar

Que me passe a doença que me passe
a pobreza que me passe
a maldade que me passe
olho grande que me passe
a má sorte que me passe
A inveja que me passe
a tristeza da guerra

Tranqüila
Levo a vida tranqüila
Não tenho medo da morte
Não tenho medo da morte
Não vou me preocupar...




Vôo de asa delta no Rio de Janeiro

Não, eu não arrumei um emprego. Também não ganhei na mega-sena. Nem o meu fofo está aqui comigo...Mas eu tô tranqüila...e não tenho medo do mundo, nem da morte. Não vou me preocupar!!!
Beijos!

5.4.05

Furadas

Lendo o excelente texto da Lúcia sobre viagens "frustradas" lembrei de uma que foi para lá de frustante... Lá no blog dela eu comentei de Florença, que me deixou tensa por causa das inúmeras filas para entrar em tudo quanto foi lugar!
Mas a pior viagem da minha vida foi definitivamente uma viagem de trabalho, que fiz para a National Geographic Society no final de 2003. Sabe quando dá tudo errado? Pois então...
A viagem foi planejada meses a fio, maior trabalhão, pesquisadores estrangeiros envolvidos. Fomos ao lugar antes da expedição, de helicóptero, marcamos todos os pontos de pouso com GPS para ver se tudo ia dar certo. Um ano inteirinho planejando, pedindo licença para IBAMA, IEF, CNPq...E quando finalmente nós chegamos no local deu tudo errado não por nossa causa, mas por causa do piloto de helicóptero que nos cobrou MUITOS reais e fez uma m*** sem tamanho.
Eu não sou fresca não (se fosse, não seria bióloga que se embrenha no meio do mato, não é mesmo?!). Mas eu fiquei tão, mas TÃO chateada naquele lugar que simplesmente apaguei um monte de coisa da minha memória. Impressionante como eu tenho uma memória seletiva para sofrimentos, hahaha. Quando fui fazer o relatório este ano eu tentava lembrar dos bichos que vimos ( e que estavam registrados nos cadernos de campo) e não consegui lembrar, aliás, eu lembrava pouquíssimo do lugar. Esquisito...
E para piorar, aqui onde está um relato da expedição (em inglês, sorry), publicaram uma foto minha tenebrosa! Eu não merecia depois de tudo que passei naquela viagem aparecer tão terrível na foto (está lá na página 4 do relato!). Eu, completamente destruída, ao lado da minha ex-orientadora, igualmente destruída, vestindo uma calça de pijama de flanela. SIM, eu apareci no site da National Geographic usando uma calça de pijama de ursinhos...É a Allininha fazendo moda no mundo da biologia... (era a única roupa seca que eu tinha, meus caros).

O melhor de tudo foi que quando tudo acabou eu fui para Itália. E lá sim, foi tudo perfeito, apesar das filas em Florença :)

Grande beijo em todos!

1.4.05

O Papa é Pop


Domingo de Ramos no Vaticano, Itália, 2004
Foto: Alline Storni

Eu estou muito emocionada com toda esta situação do Papa João Paulo II.
Não que eu seja uma católica fervorosa, mas fui criada no catolicismo e houve uma época em que me dedicava a movimentos na Igreja. Assim como qualquer outra religião, a católica tem um monte de coisas as quais discordo, mas que não vou discutir agora.
Ano passado eu estava na Itália nesta mesma época do ano. E fui a Roma no final de semana do Domingo de Ramos, o domingo que antecede a Páscoa. Eu quis porque quis ir assistir a missa no Vaticano (afinal, eu tinha que dizer que fui a Roma e vi o Papa!). Minha fiel escudeira Julie foi comigo. Quando eu cheguei no Vaticano eu já estava muito emocionada...na descida do metrô, com todas aquelas pessoas se encaminhando num lindo domingo de sol para o Vaticano já foi mexendo comigo.

Mas quando eu entrei no Vaticano e vi aquele mundo de gente, todos com ramos de oliveiras nas mãos, o nó na garganta já estava grande. Mas quando eu vi o Papa, sentado lá na frente, as lágrimas me vieram aos olhos e eu não consegui mais parar de chorar. A força deste homem é tão grande, a paz que ele transmite, o bem que irradia dele é tão forte, que é impossível não se emocionar.
Antes de ser o Papa, o João Paulo II é um homem de bem. É um homem, não se esqueçam disso, e por isso, portador de defeitos e qualidades como todos nós! Mas é um homem de um bem enorme, que transmite uma energia, uma paz, uma tranquilidade e uma fé que nenhuma outra pessoa jamais me transmitiu. A fé que o mundo pode ser melhor e que existem coisas as quais não podemos explicar com razão, só com a emoção... E a emoção que eu tive na presença deste homem eu nunca mais vou sentir na vida!
Beijos a todos!

Update: Hoje, 02 de abril de 2005, sábado, morreu o Papa João Paulo II. Às 16:37 h (horário de Brasília), no Vaticano.
O céu deve estar em festa!!!

30.3.05

Oficineiros da Inclusão

Quem cabe no seu todos? Até onde vai o seu preconceito?
Quando eu ouvi essas perguntas pela primeira vez fiquei pensando comigo mesma qual seria a minha resposta. Queria dar a resposta certa, aquelas respostas corretas que a sociedade acha bonito, que diria que eu não sou preconceituosa, que estou antenada com o movimento atual de " "Vamos dizer não ao preconceito!"
O fato é que todos somos, sim, muito preconceituosos ainda. E quando digo preconceito, quero abranger algo muito maior. Não que eu jogue pedra nos deficientes ou julgue-os menos capaz que eu, mas só o fato de nunca pensar em como incluí-los no meu mundo já é preconceito suficiente.
Só hoje fui pensar que aqui na minha cidade (Niterói/RJ) tem rampas em quase todas as calçadas, atitude louvável do ex-prefeito Jorge Roberto Silveira. Mas e os ônibus? Nenhum deles tem rampa de acesso...pelo menos não os ônibus que eu pego. E olha que eu só ando de ônibus porque não dirijo, então eu mais do que ninguém posso falar sobre os ônibus. E eventos para surdos? Para cegos? E aí me vem a pergunta proposta pela Escola de Gente de novo na cabeça...Quem cabe no meu todo?
"A Escola de Gente atua em duas áreas estratégicas: a comunicação pela inclusão e a comunicação pelo direito à inclusão. São projetos e ações que colocam a comunicação a serviço da inclusão de grupos vulneráveis na sociedade, principalmente de pessoas com deficiência. Atuamos na qualificação da mídia e formadores de opinião através da elaboração e distribuição gratuita dos Manuais da Mídia Legal, oferecemos cursos a empresas e instituições e capacitamos jovens brasileiros, tornando-os multiplicadores do conceito e da prática da inclusão por meio dos projetos Encontros da Mídia Legal, Oficineiros da Inclusão e Os Inclusos e os Sisos - Teatro de Mobilização."

Esta ONG super bacana está lançando o programa de rádio Oficineiros da Inclusão, que estréia no dia 3 de abril, 14h, na rádio MEC AM 800, produzido e apresentado pelos Oficineiros da Inclusão. "Respaldada pela certeza de que profissionais da mídia devem assumir seu papel de Agentes da História e não apenas de observadores e narradores dos processos de transformação almejados, a instituição enfrenta o desafio de abordar um tema ainda desconhecido - embora a palavra inclusão esteja na moda - o que muitas vezes torna ainda mais incômodo o trabalho da organização: as pessoas acreditam já saber o que é inclusão e, freqüentemente, inclusive, já praticá-la. "

A equipe de Oficineiros da inclusão responsável pelo programa é formada por:
Produção: Sabrina Trica e Louise Storni
Reportagem: Fábio Meirelles e Marina Maria
Apresentação: Danielle Basto e Flavia Martins


Quem puder ouvir e ajudar a divulgar o programa (já que a MEC AM funciona no Brasil todo) estará colaborando com o trabalho desta ONG e com a sociedade em geral. Já que fazemos tão pouco para incluir alguém no nosso mundinho, não custa nada ajudar dando audiência e fazendo com que iniciativas como esta perdurem por muito tempo. Ao invés de assistir ao Domingão do Faustão, liguem seu rádio na MEC AM e ouçam o que esta gente que luta por um Brasil melhor tem a dizer.

Grande beijo a todos, e conto com a colaboração na divulgação deste programa!

Momento coruja: A minha irmã, Louise Storni, que é socióloga, está na produção deste programa e é uma oficineira da inclusão da Escola de Gente. O que me enche de orgulho :)

PS: As informações em itálico foram retiradas do site da Escola de Gente.

26.3.05

Dia de malhar o Judas!

Hoje é sábado de Aleluia! O dia de malhar o Judas...
Lembro que quando eu era criança, no condomínio onde eu morava (e ainda moro), sempre tinha um Judas que amanhecia preso num poste, para crianças com pedaços de pau o malharem. Algumas vezes o Judas feito de pano tinha características marcantes de alguns moradores chatos ou implicantes com as crianças. Até hoje eu não sei quem confeccionava o Judas.

Eu nunca gostei muito da "brincadeira" não. Achava muito violento, achava que as crianças curtiam demais toda aquela violência. Ficava com medo delas! Eu, pequena, pensava assim: "se elas fazem com um boneco de pano com tanta vontade, por que não fariam também comigo caso elas não gostem do que eu diga/faça?" Ficava com medo mesmo. Mas todo ano eu ia ver o ritual...

Hoje em dia não tem mais isso. Pelo menos não aqui no meu condomínio.
Tem dias que eu tenho vontade de fazer um boneco de pano com as características de alguém para descontar toda a minha raiva. Eu já até propus uma malhação de Judas fora de época, tipo uma micareta, porque acho injusto um único dia dia para isso...Quando estivéssemos com vontade de bater em alguém, com muita raiva, faríamos um boneco de Judas com a cara da pessoa e descontaríamos nossa raiva, desopilando nosso fígado e evitando ataques cardíacos (ou de fúria). Nunca fiz isso, mas é uma boa idéia, não é não?!

Hoje eu acho que um boneco de Judas com as características do "casal Garotinho" faria uma grande mobilização entre os cariocas. Quem daqui do Rio não gostaria de dar uma paulada neles?

E vocês, quem vocês malhariam hoje?

Grande beijo e uma Páscoa muito feliz. A Páscoa, pelo menos para mim, é uma data mais familiar do que o Natal. Eu gosto muito de estar com a minha família na Páscoa...nem sempre consigo, mas quando dá, não tenho dúvida! Bacalhau, aí vou eu :)